Poupança, CDB, Tesouro Selic ou LCI: quanto R$ 10 mil rendem em 2026? A diferença passa de R$ 600

Com a Selic parada em 13,75% ao ano, quem deixa R$ 10 mil na poupança por um ano ganha cerca de R$ 617. No mesmo prazo, um CDB que paga 100% do CDI entrega perto de R$ 1.126 já descontado o Imposto de Renda, e uma LCI que paga 90% do CDI chega a uns R$ 1.229, sem imposto nenhum. A diferença entre a opção mais preguiçosa e a mais esperta passa de R$ 600 por ano, sobre apenas R$ 10 mil.

Essa é a resposta curta. O restante deste guia mostra de onde saem esses números, como refazer a conta com o seu prazo e o seu valor, e em quais casos a opção que “rende mais” no papel não é a certa para você. Os números partem da decisão do Copom desta quarta-feira, que manteve a taxa em 13,75% (Sou Brasília), e valem como estimativa: o rendimento real depende do CDI de cada dia e da taxa que o seu banco oferecer.

A tabela que resume tudo (R$ 10 mil por 12 meses)

Premissas: CDI de 13,65% ao ano (costuma ficar uns 0,10 ponto abaixo da Selic meta), aplicação por 12 meses e Selic mantida. Valores arredondados.

  • Poupança: 0,5% ao mês mais a TR, que hoje é próxima de zero. Em 12 meses, cerca de 6,17%: R$ 617. Isenta de IR.
  • CDB a 100% do CDI: rendimento bruto de R$ 1.365. O IR de 17,5% (prazo de 361 a 720 dias) tira R$ 239. Líquido: R$ 1.126.
  • CDB a 110% do CDI: bruto de R$ 1.502, líquido de R$ 1.239.
  • Tesouro Selic: rende praticamente a Selic, com IR igual ao do CDB e uma taxa de custódia de 0,20% ao ano cobrada pela B3 (acima do limite de isenção). Líquido na faixa de R$ 1.100 a R$ 1.125.
  • LCI/LCA a 90% do CDI: bruto de R$ 1.229 e isenta de IR para pessoa física. Líquido: R$ 1.229.
  • LCI/LCA a 85% do CDI: líquido de R$ 1.160.

Em renda fixa, quase nunca ganha quem acha a taxa mais alta. Ganha quem compara a taxa depois do imposto.

Poupança: por que ela perde (e quando ainda faz sentido)

A regra da poupança é fixa em lei: quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês mais a TR. Isso dá algo em torno de 6% ao ano, qualquer que seja a Selic acima desse patamar. Quanto mais a Selic sobe, mais a poupança fica para trás: hoje ela entrega menos da metade de um CDB simples de 100% do CDI.

Então por que ainda existem R$ 10 mil parados nela? Três motivos honestos:

  • Praticidade. O dinheiro está na mesma conta do salário, sem precisar abrir corretora.
  • Valores muito pequenos. Para R$ 500, a diferença é de uns R$ 25 por ano. Não é pouco para quem tem pouco, mas é o tipo de coisa que muita gente adia.
  • Medo de perder. A poupança tem proteção do FGC, mas CDB de banco também tem, até R$ 250 mil por CPF por instituição (FGC).

Nenhum dos três justifica manter uma reserva grande onde ela rende metade. O caminho mais simples: o mesmo banco da sua conta quase sempre oferece CDB com liquidez diária. Procure por “CDB liquidez diária” e olhe o percentual do CDI. Se for menos de 100%, pesquise outro banco.

CDB: o que olhar além do percentual do CDI

Um CDB “a 120% do CDI” parece imbatível, mas três detalhes decidem o resultado:

  • Liquidez. Os melhores percentuais costumam vir com prazo fechado. Se você precisar do dinheiro antes, perde a taxa ou paga multa. Reserva de emergência pede liquidez diária.
  • Tabela do IR. O imposto é regressivo: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima de 720 dias. Quem resgata antes do tempo paga mais. Os detalhes estão no site da Receita Federal.
  • Banco emissor. Taxa muito acima do mercado costuma vir de banco pequeno. O FGC cobre até R$ 250 mil, mas só vale a pena correr esse tipo de risco se você aceita que o dinheiro pode levar tempo para voltar caso a instituição quebre.

LCI e LCA: a “taxa menor” que rende mais

LCI (crédito imobiliário) e LCA (agronegócio) pagam menos percentual do CDI do que o CDB, mas não têm Imposto de Renda para pessoa física. A conta de equivalência é simples: para um CDB empatar com uma LCI de 90% do CDI em 12 meses, ele precisa pagar cerca de 109% do CDI (90 dividido por 0,825). Se o seu banco só oferece CDB a 100%, a LCI de 90% ganha.

Cuidados: LCI e LCA costumam exigir carência (muitas vezes 90 dias ou mais) e liquidez só no vencimento. Por isso são ótimas para dinheiro com data marcada, e ruins para reserva de emergência.

Tesouro Selic: o mais seguro, nem sempre o que mais rende

O Tesouro Selic é um título do governo federal. Ele paga a Selic, tem liquidez diária e é a referência de segurança da renda fixa brasileira. Rende um pouco menos que um bom CDB por causa da taxa de custódia, mas tem a vantagem de não depender da saúde de um banco.

Ele faz sentido para quem guarda valores maiores (acima do teto de R$ 250 mil do FGC) ou quer o menor risco possível. Para valores menores e com CDB de liquidez diária pagando 100% do CDI ou mais, o CDB costuma empatar ou ganhar.

Qual escolher: o roteiro de três perguntas

  1. Quando eu vou precisar do dinheiro? A qualquer momento: CDB de liquidez diária a 100% do CDI ou mais, ou Tesouro Selic. Em prazo definido (6 meses a 2 anos): CDB de prazo fechado ou LCI/LCA.
  2. Quanto eu tenho? Até R$ 250 mil por banco, o FGC cobre. Acima disso, divida entre instituições ou use Tesouro.
  3. Qual é a taxa líquida? Converta tudo para o rendimento depois do imposto antes de comparar. O CDB de 110% parece muito melhor que a LCI de 90%, mas a diferença no bolso é de R$ 10 em R$ 10 mil.

O que a Selic parada muda nessa escolha

A pausa nos cortes é uma boa notícia para quem aplica em pós-fixado: o rendimento alto dura mais. O Banco Central projeta inflação de 5,6% em 2026, acima do teto da meta (Money Times), o que reduz o ganho real, mas a renda fixa pós-fixada ainda paga bem acima da inflação. Para ver a decisão em detalhe e o que fazer com dívidas, leia o que fazer com o seu dinheiro depois do Copom.

Se a Selic voltar a cair em 2027, o pós-fixado também passará a render menos. Quem quer travar a taxa atual por mais tempo olha para prefixado ou IPCA+, que oscilam de preço e exigem manter o título até o vencimento. Para a reserva de emergência, esse risco não compensa.

Antes de aplicar: dívida cara vem primeiro

Nenhuma dessas aplicações paga mais do que o custo de uma dívida no rotativo do cartão ou no cheque especial. Se você tem dívida cara, quitar rende mais do que qualquer CDB. A conta está em 13º salário: pagar dívida ou investir? e em quanto uma dívida de R$ 5 mil no rotativo vira. E se o objetivo do dinheiro é a casa própria, veja também como funciona o Minha Casa Minha Vida para autônomo.

A leitura da Chacoalhada

A maior perda da renda fixa brasileira não está em escolher o CDB errado: está em deixar a reserva parada onde rende metade. Passar R$ 10 mil da poupança para um CDB simples de liquidez diária leva dez minutos e rende mais de R$ 500 por ano. O resto, o percentual exato, o banco, LCI ou CDB, é refinamento.

Dinheiro parado não perde por falta de sorte. Perde por falta de dez minutos.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação individual de investimento. Taxas, prazos e regras de imposto mudam; confirme as condições com a instituição antes de aplicar.

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