Acupuntura facial se populariza como alternativa ao botox – 15/09

 

Amy Abrams, de 52 anos, é proprietária e administradora do Manhattan Vintage Show, em Nova York, e investe em tratamentos faciais com acupuntura cosmética há cinco anos. “Faço a cada quatro ou seis semanas. A rotina faz parte do meu compromisso com o autocuidado, para eu me sentir bem e ter uma aparência melhor”, diz ela.

Lanshin, spa de beleza no Brooklyn, em Nova York, inspirado nas práticas da medicina tradicional chinesa, é seu endereço preferido, mas, de uns tempos para cá, ela vem tendo dificuldade em conseguir horário com sua acupunturista. “Agenda lotada para um mês e meio. É ótimo para ela, claro, mas caramba!”

Será que, quando se trata de recuperar o frescor da pele e conquistar uma aparência jovial, todos os caminhos levam às agulhas? Parece que sim, dada a infinidade de opções de picadas no rosto, desde injeções de toxina botulínica (conhecida pelo nome comercial Botox), preenchimentos volumizadores e tratamentos faciais com microagulhas até PRP (plasma rico em plaquetas) e injeções de DNA de esperma de salmão, todos procurados porque prometem um rosto mais viçoso e uma pele mais firme. Coitado de quem tem pavor de agulhas!

A acupuntura cosmética (também conhecida como acupuntura facial), exceção desse grupo, usa apenas agulhas com aproximadamente um quinto do diâmetro do das hipodérmicas tradicionais –e, segundo diz a lenda, aumenta a circulação e a produção de colágeno, além de melhorar o tom da pele. Há muito tempo apreciada pela elite do bem-estar como Jessica Alba, Kim Kardashian e Gwyneth Paltrow, sua popularidade foi crescendo à medida que mais gente passou a adotar métodos holísticos. Em entrevista em maio, Sarita Choudhury, atriz de “And Just Like That…”, admitiu que faz sessões semanais.

Uma das formas mais conhecidas de medicina tradicional chinesa no Ocidente, a acupuntura conquistou popularidade nos EUA nos anos 1970, quando um jornalista que acompanhava a delegação de Richard Nixon a Pequim, em 1971, relatou ter recebido o tratamento na capital.

Nas décadas seguintes, passou pelos canais da medicina alternativa até se popularizar como método aparentemente eficaz para todos os tipos de doenças e males, incluindo enxaqueca, problemas digestivos, infertilidade e insônia, bem como para o controle geral da dor. A ginasta Simone Biles e a estrela da NBA LeBron James incorporaram a técnica a seus protocolos de recuperação de lesões. O site de bem-estar e estilo de vida Goop menciona o tratamento em mais de 60 artigos; não é de se admirar que, com o aumento do interesse e da curiosidade do público, alguns tenham recorrido a ela para o rejuvenescimento facial.

O interesse pela versão cosmética também está alinhado com o movimento #notox, que rejeita o b otox em favor de alternativas naturais que prometem resultados semelhantes, principalmente entre os consumidores da geração Z.

De acordo com a agência de previsão de tendências Trendalytics, as pesquisas no Google por “acupuntura cosmética” aumentaram 248% nos últimos dois anos —e em janeiro, o número médio de visualizações de conteúdo relacionado ao #notox no TikTok tinha crescido 223% em um período de 12 meses.

Parte do status incomum de que goza a técnica reside em sua natureza holística: normalmente o tratamento visa diversos pontos do corpo e do rosto para tratar problemas como sono ruim, má digestão, estresse e a TPM (tensão pré-menstrual), que podem influenciar a aparência da pele.

“O grande benefício é que não é apenas superficial”, afirma Stefanie DiLibero, da Gotham Wellness, situada em Manhattan, em Nova York, onde o cliente passa por uma avaliação completa de saúde antes de iniciar o(s) tratamento(s) em várias etapas, entre eles acupuntura no corpo todo, estimulação por microcorrente e drenagem linfática manual. Ela garante que 90 por cento dos clientes são atraídos pela acupuntura cosmética, mas aprovam os benefícios e os mimos em geral.

Ainda assim, há uma forte ênfase no “cosmético”, já que muitos salões oferecem tratamentos que constam no menu de qualquer esteticista: massagens de drenagem linfática, máscaras faciais hidratantes e terapia de luz vermelha para estimular a produção de colágeno.

No ORA, spa de bem-estar com duas unidades em Manhattan, a fundadora Kim Ross diz que até adolescentes com problemas de acne procuram o tratamento facial com acupuntura, que também inclui a versão corporal, gua sha e terapia com LED. Desde a inauguração, em 2021, a opção se tornou uma das mais populares. “Independentemente da idade ou geração, quase todo mundo está em busca desse ‘brilho’ indescritível”, garante Ross.

Claudia Baettig, que trabalha na Prosper LA, em Los Angeles, atende mulheres de não mais de 20 anos em busca de tratamentos faciais. “Muitas colegas já estão fazendo botox e injetáveis, então querem algo preventivo.” Ou evitar o botox por completo.

“Tenho muito medo de fazer preenchimento e depois me arrepender”, confessa Michelle Desouza, que mora no Brooklyn e é fundadora da Same Skin, comunidade cultural e de bem-estar para mulheres. Ela agendou a primeira sessão com DiLibero na Gotham Wellness quando estava entrando nos 30 anos porque queria parecer rejuvenescida, mas “não ficar com a mesma cara que todo mundo”, especifica, referindo-se ao “rosto do Instagram“, onipresente: a aparência neutra (às vezes conseguida através de filtros de ajuste facial e tratamentos estéticos reais) que, quase sempre, parece gerada por inteligência artificial.

Desouza, hoje com 36 anos, conta que era exceção entre as amigas, pois muitas seguiram o caminho do botox. “Quem já fez o procedimento também pode receber acupuntura cosmética, mas é o mesmo que aderir a duas escolas de pensamento opostas. O primeiro impede a contração muscular; a segunda faz o oposto. Aqui, nós estimulamos. Queremos aumentar a circulação nos músculos”, comenta Baettig.

Mas será que a acupuntura cosmética funciona mesmo? Pode ser difícil medir seu sucesso porque a meta muitas vezes é subjetiva e variável. Segundo Baettig, a tendência é o cliente sair da sessão com um brilho instantâneo, mas já avisa de antemão que não deve esperar os mesmos resultados que teria com os injetáveis. “Mas dá para ver vê uma redução sutil das linhas finas e rugas, sim. Geralmente a pele fica mais viçosa após algo entre seis e dez sessões.”

Na Prosper LA, onde uma única consulta custa de US$ 195 a US$ 225 (de R$ 1.050 a R$ 1.215), e em outros salões de beleza, incluindo a ORA, onde o tratamento facial exclusivo não sai por menos de US$ 475 (cerca de R$ 2.584), em uma série de tratamentos pode-se gastar tanto quanto os valores cobrados pelos injetáveis.

Mas, o potencial de benefícios holísticos, como a serenidade e o relaxamento, não se compara com a maioria dos séruns, peelings e sessões de botox. “É uma forma de conseguir focar e me acalmar”, explica Abrams, cuja acupunturista conseguiu atendê-la sem que esperasse um mês e meio.

Este texto foi publicado originalmente aqui.

Saúde

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