A fertilidade de mulheres começa a despencar aos 35 anos? – 11/12/2025 – Equilíbrio e Saúde

Um número é inevitável para mulheres que desejam ter filhos: 35. Ao dar à luz nessa idade ou depois, os médicos dirão que você está em “idade materna avançada“. Esse termo é a versão mais recente e suave de uma designação mais antiga: “gravidez geriátrica”.

Médicos especialistas em fertilidade e pesquisadores dizem que muitas mulheres veem os 35 anos como um ponto de virada. Depois disso, segundo a teoria, engravidar e levar a gestação adiante torna-se realmente muito difícil.

Essa linha de pensamento é generalizada. Também não é totalmente verdadeira. O conceito de um “precipício da fertilidade” “realmente se consolidou, especialmente no imaginário americano, desde os anos 1970”, diz Emily Mann, socióloga da Universidade da Carolina do Sul. “É como uma palavra da moda”, acrescenta.

E, no entanto, cada vez mais mulheres com 35 anos ou mais estão engravidando. Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças divulgados em julho mostraram que, embora a taxa geral de fertilidade dos EUA tenha caído em 2024 —com 53,8 nascimentos por 1.000 mulheres em idade reprodutiva— as taxas de mulheres que deram à luz entre 35 e 39 anos permaneceram estáveis. E as taxas de mulheres com mais de 40 anos que deram à luz aumentaram 2%, segundo os dados.

Isso pode, pelo menos em parte, ser resultado de mudanças nas tendências econômicas e sociais. Mais mulheres dizem estar esperando para engravidar porque ainda não podem arcar com os custos de criar filhos, porque querem concluir sua educação e pagar os custos de um diploma, ou porque querem encontrar o parceiro certo. E à medida que as tecnologias de reprodução assistida melhoraram, mais mulheres procuraram procedimentos como a fertilização in vitro, que podem ajudar as pessoas a engravidar em uma idade mais avançada.

“Sabemos que geralmente é muito fácil para uma mulher mais jovem engravidar em comparação com uma mulher mais velha”, diz Mann. “Mas esses são dados em nível populacional. Isso não necessariamente indica, como indivíduo, quão difícil ou fácil pode ser.”

A idade é o principal fator que causa infertilidade. “Isso é incontestável”, diz Francesca Duncan, professora associada de obstetrícia e ginecologia da Universidade Northwestern. Os pesquisadores geralmente definem infertilidade para pessoas com menos de 35 anos como não engravidar após tentar por um ano.

Mas a fertilidade não despenca repentinamente no seu 35º aniversário. Ela depende de uma complexa série de fatores —tanto para mulheres quanto para homens.

Por que 35 se tornou o número não tão mágico?

Historicamente, 35 era a idade em que os médicos determinavam que o risco de uma mulher ter um feto com uma anomalia cromossômica era aproximadamente igual ao risco de ter um aborto espontâneo após a amniocentese —um procedimento que pode detectar algumas dessas anomalias. “Isso meio que fixou os 35 anos como esse número mágico”, diz Duncan.

O risco de ter uma gravidez com uma anomalia cromossômica ou um aborto espontâneo geralmente aumenta com a idade. Mas após os 35 anos, esse risco se intensifica. O aumento anual do risco é muito maior na metade e no final dos 30 anos em comparação com a metade dos 20 anos, diz Natalie Clark Stentz, diretora médica do Centro de Medicina Reprodutiva da Universidade de Michigan Health.

Os dados sobre resultados de fertilidade variam. De acordo com o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, a chance de uma mulher engravidar em qualquer ciclo menstrual é de cerca de 25% a 30%, para casais saudáveis na casa dos 20 ou início dos 30 anos. Aos 40 anos, a chance de uma mulher engravidar é inferior a 10% por ciclo menstrual.

As reservas de óvulos diminuem e a qualidade se degrada

As mulheres nascem com um número definido de óvulos —aproximadamente 1 a 2 milhões— que morrem à medida que envelhecem.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas afirma que os anos reprodutivos de pico de uma mulher estão entre o final da adolescência e o final dos 20 anos. À medida que as mulheres se aproximam dos 30 e poucos anos, elas perdem seus óvulos cada vez mais rápido a cada ano. Aos 37 anos, as mulheres têm aproximadamente 25 mil óvulos restantes.

Mudanças hormonais

À medida que as mulheres envelhecem, seus ovários gradualmente produzem níveis mais baixos de estrogênio e progesterona, o que dificulta a concepção e eventualmente leva à menopausa.

Outras complicações relacionadas ao envelhecimento

Quanto mais velha uma mulher fica, mais provável é que ela desenvolva uma série de outras condições que podem dificultar a gravidez. Por exemplo, os miomas —tumores no útero que podem causar infertilidade— são mais comuns em mulheres entre 30 e 50 anos.

O risco de desenvolver diabetes, obesidade e condições autoimunes que estão ligadas à infertilidade também aumenta com a idade.

O que acontece com a fertilidade dos homens à medida que envelhecem?

Os pesquisadores têm prestado muito menos atenção a como a fertilidade masculina diminui com a idade. Mas os homens também têm mais dificuldade para conceber à medida que envelhecem. Os homens produzem novos espermatozoides ao longo de suas vidas, mas quando atingem os 40 anos, seus níveis de testosterona caem e eles gradualmente produzem espermatozoides de pior qualidade. E à medida que os homens envelhecem, seus espermatozoides podem sutilmente mudar de forma, tornando mais difícil para eles nadarem rapidamente e fertilizarem óvulos.

Assim como as mulheres, os homens têm maior probabilidade de desenvolver condições crônicas como diabetes e hipertensão à medida que envelhecem, o que pode dificultar a concepção.

E agora?

Embora alguns pesquisadores digam que o foco em uma idade específica pode ser enganoso, isso ainda afeta a maneira como pensamos sobre os cuidados com a fertilidade. Os médicos recomendam que mulheres com mais de 35 anos que tentaram engravidar sem sucesso por seis meses busquem uma avaliação de infertilidade.

Ainda assim, o número é um marcador histórico e prático, não um limite biológico, diz Rosser.

“Na verdade, estou surpresa que o 35 tenha permanecido como está”, diz ela.

Autoria: FLSP

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