Investidores de empresas como Amazon, Google e Microsoft estão cobrando mais transparência nas informações sobre o consumo de água e energia dos data centers de IA. A pressão aumentou antes das assembleias anuais deste ano, conforme revelou a Reuters nesta segunda-feira (06).
Em meio a preocupações com os impactos ambientais dessas infraestruturas, recentemente as três gigantes da tecnologia abandonaram projetos de construção de centros de dados. Nestes casos, a pressão veio das comunidades em que os servidores seriam instalados.
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Avanços da IA x sustentabilidade
Com mais de US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões pela cotação do dia) sob sua gestão, a Trillium Asset Management questionou o Google a respeito das metas climáticas, em dezembro passado, segundo a reportagem. A gestora quer saber o que a companhia fará para cumpri-las.
- Há seis anos, a empresa de Mountain View afirmou que reduziria as emissões em 50% e passaria a adotar fontes de energia livres de carbono até 2030;
- Porém, a Trillium destaca que a gigante das buscas seguiu o caminho contrário, aumentando as emissões em 51% sem dar satisfações aos acionistas sobre as metas existentes;
- Quase um quarto dos investidores independentes apoiaram outro questionamento semelhante feito pela gestora de ativos no ano passado;
- A Green Century Capital Management é outra representante de acionistas que cobrou esclarecimentos das big techs sobre os gastos excessivos de água e energia.
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De acordo com a agência de notícias, a gestora negocia com a Nvidia a elaboração de um documento detalhando as estratégias da marca em relação à sustentabilidade. A gigante dos semicondutores domina o fornecimento de chips para data centers de IA.
Os acionistas associados à Green Century querem que a big tech garanta adequação com estratégias climáticas atualizadas. A ideia é que “ganhos de curto prazo com IA não venham às custas de riscos climáticos e financeiros de longo prazo”, conforme a defensora dos acionistas, Giovanna Eichner.
Um trilhão de litros de água consumidos em 2025
Ao longo do ano passado, os data centers da América do Norte consumiram quase 1 trilhão de litros de água, juntos, segundo dados da consultoria Mordor Intelligence. Isso equivale à demanda anual da cidade de Nova York (EUA).
O volume excessivo também está na mira dos investidores, que relatam inconsistências nos dados divulgados pelas empresas. A Meta não informou os gastos de infraestruturas alugadas e em construção, enquanto o Google não forneceu detalhes de data centers operados por terceiros.
Já Microsoft e Amazon disponibilizaram informações totais, sem divisão por unidades. Segundo os acionistas, os dados completos são fundamentais para analisar riscos operacionais e o desempenho das empresas, bem como os esforços para gerenciar os impactos hídricos.
No ano passado, os data centers também foram associados ao aumento de casos de câncer e abortos nos EUA. Saiba mais nesta matéria.