Casar perdeu o encanto? Alguns decidiram viver solteiros – 04/04/2026 – Equilíbrio

Depois que seu relacionamento de oito anos terminou em 2021, Chloe Bow começou a imaginar como seria a vida se desistisse do casamento.

Bow, hoje com 33 anos, passou boa parte dos seus 20 anos morando com um namorado que se tornou noivo. Durante a pandemia, percebeu que se sentia insatisfeita —mas havia ficado na relação por um medo conhecido: e se eu acabar sozinha?

Agora, estar sozinha é justamente o objetivo. Para sempre.

“Não consigo pensar em nenhuma pessoa em um relacionamento que eu gostaria de ter para mim”, diz ela. “Já vivi isso antes e prefiro manter o foco em mim e nas minhas próprias necessidades.”

Sem relacionamentos, sem casamento. “Não me vejo mudando de ideia”, acrescenta.

O número crescente de solteiros nos Estados Unidos indica que ela está em boa companhia. Em 2023, último dado disponível do Pew Research Center, havia cerca de 111 milhões de adultos solteiros a partir dos 18 anos no país —um salto considerável em relação aos 70 milhões registrados em 1990.

Pesquisadores chegaram a um consenso: depois de anos de queda constante nas taxas de casamento, a instituição perdeu o brilho para muita gente.

“Eu costumava dizer que não sabíamos se o casamento estava sendo adiado ou abandonado”, afirma Richard Fry, pesquisador de tendências sociais e demográficas do Pew. “Acho que as evidências agora são bastante claras. Não se trata apenas de adiar.” Cada vez mais, diz ele, as pessoas estão descartando a ideia.

Segundo o Pew, a taxa de casamentos nos EUA atingiu o menor nível em 140 anos em 2019 e nunca se recuperou completamente. Uma leve alta nos últimos anos pode ser atribuída à queda no número de divórcios e ao aumento da expectativa de vida— especialmente entre os homens, o que reduz o número de viúvas no grupo de solteiros.

O início desta década trouxe outro golpe, ainda que temporário. Em 2021, o Centro Nacional de Pesquisa em Família e Casamento da Universidade Estadual de Bowling Green registrou que a taxa de novos casamentos estava no menor patamar desde 1971. Desde então, voltou aos níveis pré-pandemia. Em dezembro de 2025, o Censo americano informou que 47% dos domicílios eram formados por casais casados —queda expressiva frente aos 66% de cinquenta anos atrás.

Outros caminhos

Para alguns, morar junto já é suficiente.

Wendy Manning, co-diretora do centro de pesquisa, diz que casais que moram juntos frequentemente sentem que já são casados e não veem motivo para formalizar. “Ou talvez tenham pensado em casar e a vida foi passando”, diz ela.

Rachel Skyward, 41, é proprietária de uma casa com o parceiro no Colorado. Sem planos de casamento ou noivado, o casal tem um acordo pré-nupcial “só para regularizar a parte legal”, como ela diz. Após um divórcio em 2022, “não tenho pressa para passar por isso de novo.”

Já algumas mulheres dizem que gostariam de casar, mas se decepcionaram com as opções disponíveis. Shani Silver, 43, apresentadora de podcast e autora de um livro sobre solteirice, diz que suas seguidoras— em geral mulheres heterossexuais da geração millennial— cresceram acreditando que casamento e família chegariam como certezas. Mas “chegamos à idade em que essas coisas foram prometidas, e nunca aconteceram.”

Silver aponta desequilíbrios persistentes: as mulheres continuam carregando mais responsabilidades domésticas e emocionais nos relacionamentos. “Se você casa com um homem com quem está se conformando, não vejo muita longevidade nessa relação”, diz ela.

Peter McGraw, 55, nunca casou e reconhece que o estigma ainda pesa mais sobre as mulheres. “Me chamo de solteirão convicto, e isso é ‘estiloso'”, diz. “‘Solteirona convicta’ não soa da mesma forma.”

Cientista comportamental e professor na Universidade do Colorado, McGraw diz que o problema é o que o casamento se tornou. “Em 1960, quando você se casava, não esperava que aquela pessoa fosse tudo para você”, diz. Hoje, o cônjuge também precisa ser o melhor amigo, confidente pessoal e profissional. “É pressão demais.”

A próxima geração

Se os millennials (nascidos entre 1981 e 1996) estão exaustos do mercado afetivo e os da geração X (nascidos entre 1965 e 1980) concluem que os padrões do casamento moderno são impossíveis, onde isso deixa a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012)? Em profunda incerteza, segundo Alia Rose Ginevra, 22, cantora lírica de Ontário, Canadá.

Em 2023, ela escreveu um artigo de opinião no jornal estudantil da Universidade de Toronto sobre as polaridades da sua geração em relação ao casamento. De um lado, jovens avessos ao risco que tendem a adiar ou evitar o “sim”; de outro, aqueles que ainda desejam o casamento como símbolo de estabilidade— cansados da cultura do swipe [deslizar para o lado, como é feito nos aplicativos de namoro] e em busca de compromisso real.

A própria Ginevra está entre os que gostariam de casar, idealmente no final dos 20 ou início dos 30 anos. Mas reconhece que questões financeiras travam muitos dos seus amigos. “Está demorando muito mais para as pessoas conquistarem independência financeira”, diz ela.

Para Manning, no entanto, tudo isso não configura um movimento cultural contra o casamento. “O casamento ainda é muito valorizado”, diz ela. “Acho que o valorizamos tanto que queremos esperar até estar realmente preparados.” Um terço de todos os casamentos nos EUA já inclui pelo menos um cônjuge que casou antes —o que, para ela, demonstra que o apelo da instituição permanece.

“A maioria das pessoas ainda quer casar e espera se casar”, conclui. “Os americanos ainda são muito entusiastas em relação a isso.”

Autoria: FLSP

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