Mesmo no outono, que começou oficialmente nesta sexta (20), os dias continuam quentes em São Paulo. Com as temperaturas elevadas, além de sintomas como dor de cabeça e tontura, é comum o corpo ficar mais inchado.
Isso acontece no calor porque os vasos sanguíneos se dilatam para aumentar o fluxo do sangue e resfriar o organismo, o que favorece a retenção de líquidos nas extremidades do corpo, explica Rafael Noronha Cavalcante, cirurgião vascular do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
A falta de movimentação pode agravar ainda mais o quadro. “Ao longo do dia, a gravidade atua contra o retorno venoso, principalmente em quem fica muitas horas parado. Além disso, um dos principais responsáveis pelo retorno venoso é a musculatura da panturrilha, ativada ao caminharmos”, diz o médico.
Pode haver ainda mais inchaço se o sedentarismo for associado a uma alimentação rica em sal e ingestão de bebida alcóolica, hábitos que estimulam a retenção de líquido.
A idade avançada também é um fator de risco. Cavalcante explica que, ao longo do tempo, as veias perdem a elasticidade e as válvulas venosas, a eficácia. Com isso, ocorre o enfraquecimento da musculatura da panturrilha, cuja principal função é empurrar o sangue das pernas em direção ao coração.
O inchaço dos membros inferiores requer acompanhamento médico, se associado à febre, vermelhidão ou alterações cutâneas. Esse quadro pode ser sinal de doenças cardíacas, renais, hepáticas e vasculares. “Edema súbito, unilateral, com dor ou endurecimento na panturrilha, leva à suspeita de trombose venosa. Falta de ar, dor torácica ou tosse pode indicar embolia pulmonar”, alerta Cavalcante.
TRATAMENTO DE REABILITAÇÃO
Para pessoas com inchaços persistentes, varizes, histórico familiar de trombose e em tratamento de úlceras venosas é indicado a fisioterapia vascular. Segundo Wladimir Musetti Medeiros, fisioterapeuta especialista em fisiologia do exercício do Instituto Heart de Cardiologia, entre os benefícios estão a redução de edemas, melhora do retorno venoso, alívio das dores e prevenção de complicações.
Uma das técnicas utilizadas é a drenagem linfática. A intervenção é eficaz para gerenciar o inchaço, mas a duração dos seus efeitos varia em função dos hábitos diários e do tipo de doença vascular.
“Pernas leves e menos inchadas duram de 24 a 48 horas. Porém, de forma regular, de duas a três vezes por semana, ajuda a manter o sistema linfático treinado e evita que o edema se torne crônico”, diz Medeiros.
Para quem trabalha por horas sentado, o fisioterapeuta indica um suporte para os pés, deixando os joelhos em um ângulo ligeiramente superior ou igual ao ângulo do quadril, a fim de facilitar o fluxo sanguíneo. Nos intervalos, é hora de colocar as pernas para cima, por cerca 20 minutos, ou até começarem a formigar. Já no final do dia, compressa de água fria ajuda a diminuir o processo inflamatório.
Aos mais ativos, Medeiros indica caminhada, corrida, ciclismo, natação, hidroginástica e musculação. Tais atividades melhoram a circulação venosa e o condicionamento vascular e facilitam a drenagem do inchaço.
EXERCÍCIOS PARA FAZER EM CASA
Adote uma rotina de atividades para melhorar a circulação e evitar o inchaço nas pernas
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Caminhada: a cada uma hora de trabalho sentado, circule por cerca de 10 minutos;
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Elevação de calcanhares: suba na ponta dos pés o máximo que conseguir, contraindo a panturrilha, e desça lentamente até encostar os calcanhares no chão. Faça 20 repetições, várias vezes ao dia;
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Flexão e extensão de tornozelo: com as pernas estendidas, puxe a ponta dos pés em direção à canela e depois empurre-os para frente. Execute três séries de 15 repetições;
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Movimentos circulares: sentado ou com a perna elevada, gire os pés dez vezes desenhando círculos no ar, no sentido horário e anti-horário;
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Sente e levante: em uma cadeira, faça cinco séries de cinco repetições.
Fonte: Instituto Heart de Cardiologia