Carregar sacolas pesadas pode desencadear lesões no ombro – 20/12/2025 – Saúde

A chegada de dezembro traz mais do que uma maratona de confraternizações e compras. Segundo especialistas, cresce também o número de pessoas que procuram atendimento por dor no ombro, um dos problemas musculoesqueléticos mais comuns neste período.

O ortopedista Jean Klay, coordenador da SBCOC (Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo), afirma que a piora sazonal tem relação direta com mudanças na rotina. “É típico do fim de ano: as pessoas passam a decorar a casa, carregar sacolas pesadas, alcançar locais altos para organizar enfeites e, ao mesmo tempo, reduzem ou pausam completamente a prática de atividade física”, diz.

O especialista diz que não se pode banalizar o peso anormal das compras, principalmente para quem não está acostumado com a carga e com os movimentos. “Essa combinação — esforço incomum somado à perda de preparo muscular —cria as condições perfeitas para sobrecarregar o ombro.”

De acordo com Klay, movimentos que exigem elevar os braços acima de 70 graus representam o maior risco porque atingem a chamada zona de impacto, ponto crítico em que tendões e estruturas internas do ombro ficam mais vulneráveis. “Quando a pessoa repete esse gesto várias vezes ou ainda adiciona carga, como caixas, sacolas ou enfeites pesados, aumenta muito a chance de desencadear processos inflamatórios.”

Entre as lesões mais recorrentes estão tendinite, síndrome do impacto (frequentemente chamada de bursite), tenossinovites (inflamação de tendão na mão, no pulso, no pé ou no tornozelo) e artralgias (dor nas articulações) decorrentes de excesso de esforço ou movimentos repetitivos.

A região lombar também costuma sofrer com o excesso de tarefas domésticas. “Curvar-se, levantar peso e manter posturas inadequadas todo dia, durante horas, sobrecarrega bastante a região”, afirma.

O médico destaca ainda que nem toda dor é passageira. Há sinais de alerta que indicam necessidade de atendimento: dor intensa e desproporcional, falta de resposta a analgésicos simples, persistência por mais de três dias e presença de febre ou mal-estar. “No ombro esquerdo, o cuidado deve ser redobrado, porque a dor pode não vir da articulação, pode ser até um sintoma cardíaco”, ressalta.

Ignorar o incômodo esperando que “passe depois das festas” também pode ser um erro, especialmente quando os sintomas são fortes. “Persistir em atividades que provocam dor pode agravar quadros inflamatórios e atrasar diagnósticos importantes”, diz Klay. Em casos mais agudos, o especialista recomenda procurar até mesmo pronto atendimento.

Para prevenir problemas, a orientação principal é manter a musculatura ativa ao longo do ano, evitando suspender totalmente exercícios durante a temporada de festas.

“A regularidade da atividade física garante que o ombro tenha mobilidade e força para lidar com esforços extras”, afirma. Além disso, o ortopedista recomenda planejar as tarefas, dividir o peso entre várias sacolas, usar escadas estáveis para alcançar locais altos e evitar manter os braços erguidos por longos períodos.

“Essas pequenas medidas reduzem muito o risco de sobrecarga. O fim do ano não precisa ser sinônimo de dor —basta respeitar os limites do corpo e adaptar as tarefas à sua capacidade”, diz.

Autoria: FLSP

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