SUS terá teleatendimento pessoas com vício em bets – 03/12/2025 – Equilíbrio e Saúde

O Ministério da Saúde irá ofertar a partir de fevereiro de 2026 teleatendimento voltado a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. Serão ao menos 450 consultas mensais ofertadas por meio de parceria com o Hospital Sírio-Libanês.

O governo ainda anunciou nesta quarta-feira (3) o lançamento de uma plataforma do Ministério da Fazenda em que apostadores poderão pedir o bloqueio de acesso aos sites de apostas. O sistema também permitirá deixar o CPF indisponível para novos cadastros e exposição a publicidades das bets.

As medidas foram anunciadas pelos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Fazenda, Fernando Haddad. Eles assinaram um acordo para compartilhamento de dados sobre as apostas. O plano é utilizar as informações para identificar o perfil das pessoas com problemas relacionados aos jogos, entre outros pontos.

Segundo dados da Saúde, o SUS realizou 1.951 atendimentos de pessoas com “transtorno do jogo” de janeiro a junho de 2025. No ano passado inteiro, foram 3.490.

O governo ainda anunciou o lançamento do Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas. O plano é cruzar dados da Fazenda e da Saúde para mapear pessoas que apresentam problemas com jogos. Com estas informações, a rede do SUS poderá fazer a “busca ativa” dos apostadores.

“A expectativa é que o teleatendimento seja a principal porta de entrada. Estamos em tratativas com outros hospitais [para ampliar a oferta das consultas]”, disse Padilha.

Haddad disse que a Fazenda já armazena dados sobre as apostas, como valor aplicado e tempo dedicado às bets. Ele afirmou que o governo, agora, terá condições de “identificar aqueles casos mais preocupantes, tanto no caso do crime com de dependência”.

Já a chamada plataforma de autoexclusão dos sites de apostas poderá ser acessada com a conta Gov.br. A página ficará disponível a partir de 10 de dezembro.

O apostador poderá escolher por quanto tempo e por qual motivo deseja ficar fora dos sites de jogos. No período selecionado, o apostador não poderá acessar as plataformas nem receberá comunicações de marketing, publicidade ou promoções enviadas pelas bets. O Ministério da Fazenda irá emitir um “registro de autoexclusão”.

“A ferramenta disponibilizará informações sobre pontos de atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde), direcionando o usuário para o Meu SUS Digital e a Ouvidoria do SUS”, diz o Ministério da Saúde.

A Fazenda já oferta uma plataforma que permite o bloqueio do perfil em cada casa de apostas. 950 mil pessoas já teriam pedido a exclusão, segundo a pasta. O novo sistema permitirá o bloqueio em todas as bets de uma vez.

“Essa assistência funcionará de forma integrada e como parte da rede do SUS (Sistema Único de Saúde) e, sempre que necessário, esses pacientes serão conduzidos ao atendimento presencial”, afirma a Saúde.

Os sites de apostas online, que incluem as chamadas bets esportivas ou o famoso ‘jogo do tigrinho‘, explodiram no Brasil nos últimos anos. As empresas do setor começaram a atuar no final do governo de Michel Temer (MDB), em 2018, e cresceram em uma zona cinzenta da legislação até o governo Lula (PT), que regulamentou o mercado.

Como mostrou pesquisa do Datafolha, de 2023, 15% da população já afirmava praticar apostas, com público majoritariamente jovem, e inclusive de beneficiários do Bolsa Família. Em novebro, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o governo crie ferramentas para impedir que beneficiários de programas sociais façam apostas.

Autoria: FLSP

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