Qual a melhor maquininha para MEI em 2026? A diferença chega a R$ 4.440 por ano

Para a maioria dos MEIs em 2026, as opções mais baratas nos planos básicos são InfinitePay, SumUp e Yelly. Qual delas vence depende de como o seu cliente paga. Quem recebe quase tudo em Pix e débito gasta menos com SumUp ou InfinitePay. Quem parcela muito economiza mais com a Yelly. Numa loja que fatura R$ 6.750 por mês e vende 40% em 12x, a distância entre a mais barata e a mais cara da nossa conta chega a R$ 4.440 por ano.

Esse número sai de uma simulação com tabelas públicas, e a conta completa está logo abaixo. Ela importa mais que qualquer ranking porque a maquininha com o menor débito pode ser a pior para quem vende parcelado. A propaganda mostra a menor taxa da tabela. O seu extrato mostra a taxa que você realmente usa.

As taxas lado a lado

Os valores abaixo vêm do comparador Calculadora de Taxas. InfinitePay, SumUp e Yelly foram conferidas na página atualizada em 01/11/2026, no plano base, sem fidelidade, para pessoa física e bandeira Mastercard. Ton, Mercado Pago e PagBank vêm da tabela do mesmo site, com última atualização indicada em junho de 2026. Todas consideram recebimento em até 2 dias úteis.

MaquininhaPixDébitoCrédito 1xCrédito 12x
InfinitePay0,00%1,37%3,15%12,40%
SumUp0,00%0,99%3,49%13,99%
Yelly0,46%1,05%3,05%11,04%
Ton0,00%1,69%3,86%20,39%
Mercado Pago0,49%1,99%4,98%22,59%
PagBank0,99%2,39%4,99%22,59%

Olhe a última coluna. Entre 11,04% e 22,59% existe mais que o dobro de custo na mesma venda. Em R$ 1.000 parcelados em 12x, são R$ 110,40 contra R$ 225,90. No débito, a diferença entre a menor e a maior taxa dá R$ 14 na mesma venda de R$ 1.000. A escolha de maquininha, para quem parcela, é decidida quase toda nessa coluna.

Vale um aviso sobre a fonte. Comparadores têm interesse comercial e a própria página pede que você confirme no site de cada empresa. Encontramos divergências entre tabelas: o Pix do Mercado Pago aparece como 0,49% num trecho e 0,74% em outro do mesmo artigo. Use a tabela para fazer a pré-seleção e a página oficial para fechar.

Quanto custa de verdade: a conta em três perfis

Taxa isolada engana. O que pesa é a taxa multiplicada pelo jeito que o seu cliente paga. Montamos três perfis hipotéticos, usando R$ 6.750 como faturamento de referência porque esse é o limite mensal médio do MEI em 2026.

Perfil 1: serviço de bairro, com muito Pix

Fatura R$ 3.000 por mês: 60% em Pix, 25% no débito e 15% no crédito à vista. Nada parcelado. Pense em manicure, barbeiro ou técnico de celular.

  • SumUp: R$ 23,13 por mês (R$ 278 por ano)
  • InfinitePay: R$ 24,45 por mês (R$ 293 por ano)
  • Yelly: R$ 29,88 por mês (R$ 359 por ano)
  • Ton: R$ 30,05 por mês (R$ 361 por ano)
  • Mercado Pago: R$ 46,16 por mês (R$ 554 por ano)
  • PagBank: R$ 58,20 por mês (R$ 698 por ano)

Aqui a diferença entre a primeira e a última dá R$ 420 por ano. Para este perfil, o Pix grátis é o que mais conta.

Perfil 2: comércio com venda equilibrada

Fatura R$ 6.750 por mês: 30% em Pix, 30% no débito, 30% no crédito à vista e 10% em 12x.

  • Yelly: R$ 166,86 por mês (R$ 2.002 por ano)
  • InfinitePay: R$ 175,23 por mês (R$ 2.103 por ano)
  • SumUp: R$ 185,15 por mês (R$ 2.222 por ano)
  • Ton: R$ 250,02 por mês (R$ 3.000 por ano)
  • Mercado Pago: R$ 303,55 por mês (R$ 3.643 por ano)
  • PagBank: R$ 321,97 por mês (R$ 3.864 por ano)

São R$ 1.862 por ano entre a primeira e a última. Com apenas 10% das vendas em 12x, a Yelly já compensa o Pix pago.

Perfil 3: loja que vive de parcelamento

Fatura R$ 6.750 por mês: 15% em Pix, 15% no débito, 30% no crédito à vista e 40% em 12x. É o retrato de quem vende roupa, eletrônico ou móvel.

  • Yelly: R$ 375,13 por mês (R$ 4.502 por ano)
  • InfinitePay: R$ 412,46 por mês (R$ 4.950 por ano)
  • SumUp: R$ 458,43 por mês (R$ 5.501 por ano)
  • Ton: R$ 645,81 por mês (R$ 7.750 por ano)
  • Mercado Pago: R$ 735,88 por mês (R$ 8.831 por ano)
  • PagBank: R$ 745,20 por mês (R$ 8.942 por ano)

Essa é a diferença de R$ 4.440 do começo do texto. Na prática, este lojista entrega de 5,5% a 11% de tudo o que vende para a empresa da maquininha. Se a margem dele é de 20%, a escolha errada pode consumir mais de metade do lucro bruto.

A maquininha mais barata é a que cobra menos na forma de pagamento que o seu cliente mais usa.

Qual escolher em cada caso

  • Muito Pix e débito, pouco crédito: SumUp, pelo débito de 0,99% e Pix zerado, ou InfinitePay. Num negócio pequeno, a diferença entre as duas é de poucos reais por mês, então decida pelo atendimento e pelo aparelho.
  • Venda equilibrada: Yelly e InfinitePay ficam praticamente empatadas. Se o Pix for grande parte do seu caixa, a InfinitePay tende a levar. Se o parcelamento crescer, a Yelly assume a frente.
  • Muito parcelado: Yelly tem a menor taxa de 12x da tabela. Se você prefere uma marca que também ofereça Pix sem custo, a InfinitePay fica logo atrás.
  • Sem CNPJ ainda: o comparador indica que a maquininha física da InfinitePay é vendida só para CNPJ. Para pessoa física, a alternativa da marca é o InfiniteTap, que funciona no próprio celular Android com NFC. Ton, Mercado Pago e PagBank aceitam CPF em vários modelos.

A nossa opinião: a maioria dos MEIs paga caro por inércia. Escolhem pela marca que conhecem, pelo preço do aparelho ou pela promoção do primeiro mês, e nunca refazem a conta depois. Abra o extrato dos últimos três meses, calcule quanto vendeu em cada modalidade e aplique a tabela. Isso leva uns 20 minutos e costuma pagar o resto do ano.

As quatro armadilhas que a tabela não mostra

1. Taxa promocional com prazo curto

Os números baixos das propagandas costumam ter validade. Um levantamento publicado pela InfinitePay, concorrente direta das outras marcas, lista promoções como 0,57% na Ton e 0,74% no Mercado Pago válidas por 30 dias ou até R$ 5 mil em vendas, e 0,58% no PagBank nas mesmas condições. Depois disso, vale a tabela normal. Compare sempre a taxa do terceiro mês, e nunca a do primeiro.

2. Taxa que depende do seu faturamento

Muitas tabelas são progressivas: quem vende mais paga menos. A taxa de 0,75% no débito da InfinitePay, por exemplo, é divulgada para quem vende acima de R$ 80 mil por mês, valor que um MEI fatura em um ano inteiro. Se a página diz “a partir de”, pergunte a partir de quanto.

3. Prazo de recebimento

Todas as taxas da tabela acima consideram recebimento antecipado em até 2 dias úteis. Esperar pode sair mais barato: uma tabela da Nuvemshop atualizada em junho mostra o crédito do Mercado Pago em 4,74% na hora e 3,03% em 30 dias. O fôlego de caixa tem um preço. Se você não precisa do dinheiro amanhã, essa é uma economia fácil de capturar. A Nuvemshop vende meio de pagamento próprio, então confira os valores na página oficial antes de decidir.

4. Aparelho e aluguel

Comprar costuma ser melhor que alugar para quem tem vendas que variam. A mesma tabela da Nuvemshop lista aparelhos como a Minizinha NFC do PagBank por R$ 58,80 e o Point Mini NFC do Mercado Pago por R$ 118,80. O aparelho é um gasto único e pequeno perto da taxa: no perfil 3, a diferença de R$ 370 por mês paga a maioria dos modelos no primeiro mês. E há opções sem aparelho nenhum, como o SumUp Tap to Pay e o InfiniteTap, que transformam o celular em maquininha. Boas para quem atende na rua e vende pouco, desde que o aparelho seja compatível.

O Pix fora da maquininha

Se boa parte do seu caixa é Pix, talvez você nem precise passar essas vendas pela maquininha. A regra do Banco Central veda a cobrança de tarifa de pessoas físicas e MEIs no envio de Pix e em boa parte dos recebimentos, mas abre exceção para o recebimento de dinheiro de vendas e para contas de uso comercial. Por isso, confira a tabela do seu banco antes de contar com o custo zero. Em contas PJ de grandes bancos, a cobrança por Pix já foi registrada, e esses valores mudam com o tempo.

Para quem cobra mensalidade, como academia, aula particular ou manutenção, vale olhar também o Pix Automático. O cliente autoriza uma vez e a cobrança recorrente cai sozinha, sem cartão e sem taxa de crédito. A adesão é feita no banco, e o custo para quem recebe varia por instituição.

Dá para repassar a taxa ao cliente?

Dá para cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento. A Lei 13.455/2017 autoriza a diferenciação por prazo ou instrumento de pagamento, desde que você informe isso de forma clara e visível. Na prática, o caminho que funciona melhor é dar desconto no Pix em vez de cobrar acréscimo no cartão: mesmo efeito no caixa, sensação melhor para quem compra.

Um exemplo com a taxa de 12,40%. Num produto de R$ 500, vender em 12x custa R$ 62 em taxa. Oferecer 5% de desconto no Pix custa R$ 25. Cada cliente que troca o 12x pelo Pix deixa R$ 37 a mais no seu caixa, além de o dinheiro entrar na hora. Com a Black Friday chegando, essa conta merece estar na ponta do lápis: mostramos como o ticket menor aperta a margem da pequena loja.

Receber no CPF sendo MEI: pode, mas conta

O comparador lembra que o MEI pode usar maquininha no CPF, desde que declare as receitas. Ter o cadastro em pessoa física não tira o dinheiro da conta do negócio. Há discussão entre contadores sobre o alcance da Resolução CGSN 183/2025, mas o ponto prático é simples: venda da sua atividade é faturamento da sua atividade, em qualquer conta que caia.

Isso importa especialmente agora. O limite do MEI em 2026 continua em R$ 81 mil, e o novo teto de R$ 110 mil só vale a partir de janeiro. Quem recebe em duas contas costuma perder a noção do total. Veja o que acontece com quem passa de R$ 97.200 ainda este ano.

Taxa de maquininha é despesa recorrente. Trate como aluguel: renegocie, compare e troque quando deixar de fazer sentido.

Como trocar de maquininha em cinco passos

  1. Puxe o extrato de três meses e anote quanto entrou em Pix, débito, crédito à vista e parcelado.
  2. Calcule o custo atual multiplicando cada valor pela taxa que você paga hoje. Esse é o número a vencer.
  3. Refaça a conta com duas ou três candidatas, usando as taxas da página oficial de cada uma, depois de terminar qualquer período promocional.
  4. Peça para a sua operadora atual cobrir a proposta. Com a conta na mão, a negociação fica concreta, especialmente se você vende há algum tempo com ela.
  5. Teste a nova por um mês antes de desativar a antiga. Confira no extrato se o valor líquido bate com a conta. Se não bater, reclame com o número em mãos.

O que vigiar nos próximos meses

Em 2027 o limite do MEI sobe, então muita gente vai faturar mais sem mudar de regime. Mais faturamento costuma dar acesso a faixas melhores nas tabelas progressivas, então a conta de hoje pode ficar velha rápido. Refaça a comparação a cada seis meses, ou sempre que o peso do parcelado mudar no seu caixa.

Se o seu negócio está organizando as finanças agora, dá para automatizar parte desse controle sem gastar muito. Mostramos como a IA ajuda pequenos negócios em tarefas assim. E se sobrar dinheiro do 13º, antes de pensar em aparelho novo vale ler a conta entre pagar dívida e investir.

Taxas consultadas em 01/11/2026 nas fontes indicadas, sujeitas a mudança sem aviso. Os perfis são simulações e não incluem a variação por bandeira. Confirme as condições no site de cada empresa antes de contratar.

2 comentários em “Qual a melhor maquininha para MEI em 2026? A diferença chega a R$ 4.440 por ano”

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